O milagre não é dar vida ao corpo extinto,
Ou luz ao cego, ou eloqüência ao mudo...
Nem mudar água pura em vinho tinto...
Milagre é acreditarem nisso tudo!
(Mário Quintana)
domingo, 4 de julho de 2010
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Ateísmo - Parte VII
Mas e a moralidade do dia-a-dia?
Uma pesquisa conduzida pela Organização Roper concluiu que o comportamento moral se deteriora após o “renascer” para a religião. Enquanto antes da “conversão” 4% dos indivíduos pesquisados disseram já ter dirigido bêbados, após a conversão 12% confessaram tê-lo feito. Similarmente, 5% deles haviam usado drogas ilegais antes de comparecer à pesquisa, e 9% depois. 2% haviam admitido ter feito sexo ilícito antes da “salvação”; 5% depois. (”Freethought Today”, Septembro 1991, pág. 12)
Parece que a religião, na melhor das hipóteses, não possui o monopólio do comportamento moral.
É claro, uma grande parte das pessoas é convertida ao (e do) Cristianismo durante a adolescência e o começo dos 20, a exata época em que começam a beber e se tornar sexualmente ativas. Talvez a estatística apenas demonstre que o Cristianismo não tem qualquer influência no comportamento moral, ou pelo menos um efeito insuficiente para resultar numa queda significante do comportamento imoral.
Há uma moral ateística?
Se você quer dizer “para os ateus existe moral?”, a resposta é sim, como explicado acima. Muitos ateus têm princípios morais que são no mínimo tão fortes quanto os embasados em princípios religiosos.
Se você quer dizer “o ateísmo tem um código moral característico?”, então a resposta é não. O ateísmo em si mesmo não diz muita coisa sobre como a pessoa vai comportar-se. A maioria dos ateus segue muitas das regras morais originalmente teístas, mas por motivos diferentes dos deles. Ateus vêem a moralidade como algo criado pelos homens, sendo que essas regras de comportamento não passam de uma aplicação das noções que eles possuem de como o mundo “deveria” funcionar.
Os ateus não são teístas que negam Deus?
Um estudo feito pela Fundação “Liberdade da Religião” constatou que mais de 90% dos indivíduos que se tornaram ateus o fizeram porque a religião não funcionou para eles. Perceberam que suas crenças religiosas eram fundamentalmente incompatíveis com o mundo que observavam à sua volta.
Ateus não são descrentes por ignorância ou simples negação; escolheram a descrença através de uma escolha deliberada. A grande maioria deles passou tempo estudando uma ou mais religiões, às vezes muito profundamente. Tomaram a decisão de rejeitar, conscientes do que isso significa, as crenças religiosas.
Essa decisão pode, é claro, repercutir na personalidade do indivíduo. Para uma pessoa naturalmente cética, o ateísmo geralmente é a única opção que faz sentido e, assim sendo, ser ateu, para ele, é ser honesto consigo mesmo.
A palavra “negar” pode ser usada no sentido de “não aceitar”. Apenas neste sentido os ateus podem ser considerados “negadores” de Deus. Não estão negando cegamente e ignorando evidências; e também não afirmam necessariamente e categoricamente a inexistência de Deus.
O simples fato de estarmos discutindo acerca de Deus não é uma admissão tácita de sua existência?
Absolutamente, não. Pessoas falam sobre o papai Noel todo natal; isso não quer dizer que ele realmente escala nossas chaminés e deixa presentes. Jogadores de RPG discutem todo tipo de criatura estranha, desde orcs e góblins até ciclopes e minotauros. Tais seres também não existem.
Uma pesquisa conduzida pela Organização Roper concluiu que o comportamento moral se deteriora após o “renascer” para a religião. Enquanto antes da “conversão” 4% dos indivíduos pesquisados disseram já ter dirigido bêbados, após a conversão 12% confessaram tê-lo feito. Similarmente, 5% deles haviam usado drogas ilegais antes de comparecer à pesquisa, e 9% depois. 2% haviam admitido ter feito sexo ilícito antes da “salvação”; 5% depois. (”Freethought Today”, Septembro 1991, pág. 12)
Parece que a religião, na melhor das hipóteses, não possui o monopólio do comportamento moral.
É claro, uma grande parte das pessoas é convertida ao (e do) Cristianismo durante a adolescência e o começo dos 20, a exata época em que começam a beber e se tornar sexualmente ativas. Talvez a estatística apenas demonstre que o Cristianismo não tem qualquer influência no comportamento moral, ou pelo menos um efeito insuficiente para resultar numa queda significante do comportamento imoral.
Há uma moral ateística?
Se você quer dizer “para os ateus existe moral?”, a resposta é sim, como explicado acima. Muitos ateus têm princípios morais que são no mínimo tão fortes quanto os embasados em princípios religiosos.
Se você quer dizer “o ateísmo tem um código moral característico?”, então a resposta é não. O ateísmo em si mesmo não diz muita coisa sobre como a pessoa vai comportar-se. A maioria dos ateus segue muitas das regras morais originalmente teístas, mas por motivos diferentes dos deles. Ateus vêem a moralidade como algo criado pelos homens, sendo que essas regras de comportamento não passam de uma aplicação das noções que eles possuem de como o mundo “deveria” funcionar.
Os ateus não são teístas que negam Deus?
Um estudo feito pela Fundação “Liberdade da Religião” constatou que mais de 90% dos indivíduos que se tornaram ateus o fizeram porque a religião não funcionou para eles. Perceberam que suas crenças religiosas eram fundamentalmente incompatíveis com o mundo que observavam à sua volta.
Ateus não são descrentes por ignorância ou simples negação; escolheram a descrença através de uma escolha deliberada. A grande maioria deles passou tempo estudando uma ou mais religiões, às vezes muito profundamente. Tomaram a decisão de rejeitar, conscientes do que isso significa, as crenças religiosas.
Essa decisão pode, é claro, repercutir na personalidade do indivíduo. Para uma pessoa naturalmente cética, o ateísmo geralmente é a única opção que faz sentido e, assim sendo, ser ateu, para ele, é ser honesto consigo mesmo.
A palavra “negar” pode ser usada no sentido de “não aceitar”. Apenas neste sentido os ateus podem ser considerados “negadores” de Deus. Não estão negando cegamente e ignorando evidências; e também não afirmam necessariamente e categoricamente a inexistência de Deus.
O simples fato de estarmos discutindo acerca de Deus não é uma admissão tácita de sua existência?
Absolutamente, não. Pessoas falam sobre o papai Noel todo natal; isso não quer dizer que ele realmente escala nossas chaminés e deixa presentes. Jogadores de RPG discutem todo tipo de criatura estranha, desde orcs e góblins até ciclopes e minotauros. Tais seres também não existem.
domingo, 13 de junho de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Ateismo - Parte VI
Qual a diferença entre ateus e pessoas religiosas?
Ateus não crêem em Deus. A princípio isso é tudo que pode ser dito com certeza.
Ateus podem ouvir heavy metal – de trás para frente também – ou então preferir um réquiem de Verdi, mesmo que conheçam as letras. Podem usar camisetas havaianas, se vestir todos de preto ou mesmo usar mantos alaranjados (muitos budistas não crêem em divindades). Alguns ateus até carregam uma Bíblia consigo (para argumentar contra, é claro).
Seja você quem for, provavelmente já encontrou vários ateus sem aperceber-se disso. Eles são, geralmente, pessoas de comportamento e aparência comuns.
Mas os ateus não são menos morais que pessoas religiosas?
Isso depende. Se a “moralidade” é medida pela obediência a Deus, claro que ateus são menos morais, pois não obedecem a deus algum. Normalmente, quando alguém fala de moralidade, se refere ao que é “aceitável” ou “inaceitável” em relação a comportamentos em sociedade.
Humanos são animais sociais, e para utilizarem seus potenciais plenamente devem cooperar uns com os outros. Esse é um motivo bom o suficiente para que um ateu não se torne “anti-social” ou “imoral”.
Muitos ateus são “morais” ou “compassivos” simplesmente porque esta é uma tendência natural neles. O porquê dos ateus se importarem com os outros eles não sabem explicar; simplesmente são assim naturalmente.
Obviamente, há os que se comportam imoralmente e tentam usar o ateísmo como justificativa. Entretanto, há igual número de pessoas que se comportam de modo idêntico e tentam usar como justificativa suas crenças religiosas. Por exemplo:
“Este é um dito confiável que merece aceitação total: Jesus Cristo veio ao mundo para salvar pecadores... por esse motivo, foi-me demonstrada misericórdia, para que em mim... Jesus pudesse manifestar sua paciência ilimitada como uma prova de que todos os que nele crêem terão a vida eterna. Para o rei eterno, imortal, invisível e único, sejam, a honra e a glória, eternas.”
A citação acima foi feita numa corte no dia 17 de fevereiro de 1992 por Jeffrey Dahmer, um notório Serial-killer canibal de Milwaukee, Wisconsin. Parece que para cada assassinato em nome do ateísmo, há outro em nome da religião.
Ateus não crêem em Deus. A princípio isso é tudo que pode ser dito com certeza.
Ateus podem ouvir heavy metal – de trás para frente também – ou então preferir um réquiem de Verdi, mesmo que conheçam as letras. Podem usar camisetas havaianas, se vestir todos de preto ou mesmo usar mantos alaranjados (muitos budistas não crêem em divindades). Alguns ateus até carregam uma Bíblia consigo (para argumentar contra, é claro).
Seja você quem for, provavelmente já encontrou vários ateus sem aperceber-se disso. Eles são, geralmente, pessoas de comportamento e aparência comuns.
Mas os ateus não são menos morais que pessoas religiosas?
Isso depende. Se a “moralidade” é medida pela obediência a Deus, claro que ateus são menos morais, pois não obedecem a deus algum. Normalmente, quando alguém fala de moralidade, se refere ao que é “aceitável” ou “inaceitável” em relação a comportamentos em sociedade.
Humanos são animais sociais, e para utilizarem seus potenciais plenamente devem cooperar uns com os outros. Esse é um motivo bom o suficiente para que um ateu não se torne “anti-social” ou “imoral”.
Muitos ateus são “morais” ou “compassivos” simplesmente porque esta é uma tendência natural neles. O porquê dos ateus se importarem com os outros eles não sabem explicar; simplesmente são assim naturalmente.
Obviamente, há os que se comportam imoralmente e tentam usar o ateísmo como justificativa. Entretanto, há igual número de pessoas que se comportam de modo idêntico e tentam usar como justificativa suas crenças religiosas. Por exemplo:
“Este é um dito confiável que merece aceitação total: Jesus Cristo veio ao mundo para salvar pecadores... por esse motivo, foi-me demonstrada misericórdia, para que em mim... Jesus pudesse manifestar sua paciência ilimitada como uma prova de que todos os que nele crêem terão a vida eterna. Para o rei eterno, imortal, invisível e único, sejam, a honra e a glória, eternas.”
A citação acima foi feita numa corte no dia 17 de fevereiro de 1992 por Jeffrey Dahmer, um notório Serial-killer canibal de Milwaukee, Wisconsin. Parece que para cada assassinato em nome do ateísmo, há outro em nome da religião.
sexta-feira, 27 de março de 2009
Ateismo - Parte V
Impedir que a religião opine sobre o funcionamento do estado não corresponde a um “ateísmo estatal”?
O princípio da separação entre a Igreja e o Estado diz apenas que o Estado não deve legislar assuntos concernentes à crença religiosa. Isso significa não apenas que o Estado não pode promover uma religião em detrimento de outra, mas que também não pode promover qualquer crença de natureza religiosa.
As religiões ainda podem opinar em assuntos puramente seculares. Por exemplo, religiosos foram historicamente responsáveis pelo encorajamento às reformas políticas. Mesmo hoje, muitas organizações que defendem um aumento nas verbas para ajudar países estrangeiros têm fundamento religioso. Desde que apenas tratem de assuntos seculares e não usem a religião como fator discriminatório, a maioria dos ateus sente-se satisfeita em ver que eles têm liberdade para professar suas crenças.
E as rezas nas escolas? Se não há Deus, por que você se importa com isso?
Porque pessoas que rezam também votam e são legisladoras; elas possuem uma tendência a fazer coisas que os que não rezam simplesmente não podem ignorar. Rezas cristãs em escolas são constrangedoras para os não-cristãos, mesmo se for dada a liberdade para não participarem.
A grande diversidade de crenças religiosas e não-religiosas implica a impossibilidade de formular uma reza que abarque toda essa variedade a ponto de tornar-la aceitável para todos indistintamente.
Esse é um motivo pelo qual nos EUA não é permitido que escolas públicas apóiem certos tipos de crença através de rezas religiosas. As crianças são, é claro, livres para rezar, se desejarem, em seu tempo vago; não há, neste caso, motivos para querer evitar que isso aconteça nas escolas.
Você mencionou a campanha cristã em favor da ajuda a países estrangeiros. E os ateus? Por que não há ateus visitando hospitais ou fazendo caridades? Eles são contra as caridades religiosas?
Há muitas caridades voluntárias e sem motivos religiosos que ateus fazem. Alguns contribuem para caridades religiosas também, pois no fim o que importa para eles é o bem que fazem. Outros até trabalham voluntariamente em movimentos que tiveram início por motivos religiosos.
A maioria dos ateus acha que conciliar sua descrença à sua caridade não é possível nem importante. Para eles o ateísmo é algo trivial e, de modo equivalente, também a caridade. Muitos acham que é baixo, para não dizer hipócrita, usar a caridade como uma desculpa para promover um conjunto de crenças religiosas.
Para ateus “passivos” construir um hospital e dedicá-lo à sua descrença em Deus é uma idéia muito estranha; seria como dar uma festa e dizer “hoje não é meu aniversário”. O ateísmo raramente é espalhafatoso.
Você disse que o ateísmo não é anti-religião. Ele não seria, talvez, uma resistência à formação educacional, uma espécie de rebeldia?
Talvez para alguns, mas muitas pessoas têm pais que não tentam incutir-lhes idéias sobre religião, e muitos desses pais denominam-se ateus.
Sem dúvida há os casos de religiosos que usam a crença como desculpa para lutar contra a difusão do ateísmo, mas apenas querem sentir-se “especiais”. Em contrapartida, muitas pessoas vêem a religião como um modo de estar em conformidade às expectativas dos outros.
No fim, não fica muito nítido se o ateísmo ou a religião são um subterfúgio ou conformismo; mas vale lembrar que, em geral, as pessoas têm a tendência a agir em grupo em vez de pensar independentemente.
O princípio da separação entre a Igreja e o Estado diz apenas que o Estado não deve legislar assuntos concernentes à crença religiosa. Isso significa não apenas que o Estado não pode promover uma religião em detrimento de outra, mas que também não pode promover qualquer crença de natureza religiosa.
As religiões ainda podem opinar em assuntos puramente seculares. Por exemplo, religiosos foram historicamente responsáveis pelo encorajamento às reformas políticas. Mesmo hoje, muitas organizações que defendem um aumento nas verbas para ajudar países estrangeiros têm fundamento religioso. Desde que apenas tratem de assuntos seculares e não usem a religião como fator discriminatório, a maioria dos ateus sente-se satisfeita em ver que eles têm liberdade para professar suas crenças.
E as rezas nas escolas? Se não há Deus, por que você se importa com isso?
Porque pessoas que rezam também votam e são legisladoras; elas possuem uma tendência a fazer coisas que os que não rezam simplesmente não podem ignorar. Rezas cristãs em escolas são constrangedoras para os não-cristãos, mesmo se for dada a liberdade para não participarem.
A grande diversidade de crenças religiosas e não-religiosas implica a impossibilidade de formular uma reza que abarque toda essa variedade a ponto de tornar-la aceitável para todos indistintamente.
Esse é um motivo pelo qual nos EUA não é permitido que escolas públicas apóiem certos tipos de crença através de rezas religiosas. As crianças são, é claro, livres para rezar, se desejarem, em seu tempo vago; não há, neste caso, motivos para querer evitar que isso aconteça nas escolas.
Você mencionou a campanha cristã em favor da ajuda a países estrangeiros. E os ateus? Por que não há ateus visitando hospitais ou fazendo caridades? Eles são contra as caridades religiosas?
Há muitas caridades voluntárias e sem motivos religiosos que ateus fazem. Alguns contribuem para caridades religiosas também, pois no fim o que importa para eles é o bem que fazem. Outros até trabalham voluntariamente em movimentos que tiveram início por motivos religiosos.
A maioria dos ateus acha que conciliar sua descrença à sua caridade não é possível nem importante. Para eles o ateísmo é algo trivial e, de modo equivalente, também a caridade. Muitos acham que é baixo, para não dizer hipócrita, usar a caridade como uma desculpa para promover um conjunto de crenças religiosas.
Para ateus “passivos” construir um hospital e dedicá-lo à sua descrença em Deus é uma idéia muito estranha; seria como dar uma festa e dizer “hoje não é meu aniversário”. O ateísmo raramente é espalhafatoso.
Você disse que o ateísmo não é anti-religião. Ele não seria, talvez, uma resistência à formação educacional, uma espécie de rebeldia?
Talvez para alguns, mas muitas pessoas têm pais que não tentam incutir-lhes idéias sobre religião, e muitos desses pais denominam-se ateus.
Sem dúvida há os casos de religiosos que usam a crença como desculpa para lutar contra a difusão do ateísmo, mas apenas querem sentir-se “especiais”. Em contrapartida, muitas pessoas vêem a religião como um modo de estar em conformidade às expectativas dos outros.
No fim, não fica muito nítido se o ateísmo ou a religião são um subterfúgio ou conformismo; mas vale lembrar que, em geral, as pessoas têm a tendência a agir em grupo em vez de pensar independentemente.
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